PF desarticula agência de espionagem ilegal comandada por empresário em Minas Gerais

A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Rejeito em Belo Horizonte, revelando detalhes de uma organização criminosa liderada pelo empresário Alan Cavalcante. O grupo utilizava uma estrutura paralela de inteligência para realizar monitoramentos ilegais, quebras de sigilo e vigilância física de autoridades, incluindo policiais e magistrados mineiros. A companheira do empresário, Tayná Vitória, foi apontada como a gerente operacional do esquema, sendo a responsável por encomendar dossiês ilegais.
As investigações apontam que a rede criminosa tinha acesso a sistemas restritos do governo, obtendo dados de Imposto de Renda, históricos de saúde e endereços sigilosos. A organização utilizava empresas de fachada para disfarçar a espionagem e mantinha canais permanentes para a consulta de placas de veículos e interceptação de dados. O nível de detalhamento das informações sugere a participação de agentes públicos ou o uso de senhas institucionais desviadas.
Um dos pontos mais alarmantes revelados pela PF foi o planejamento de uma 'blitz encomendada'. O grupo pretendia contratar policiais para forjar uma abordagem contra a ex-esposa do empresário, visando um flagrante de embriaguez. O esquema contava até com o uso de rastreadores instalados clandestinamente nos veículos dos alvos, permitindo o monitoramento em tempo real de qualquer movimentação.
Para as autoridades federais, a manutenção dessa rede representava um risco grave ao processo judicial e à segurança de testemunhas. Com a desarticulação do grupo, a polícia busca agora identificar todos os agentes públicos que colaboraram com o acesso ilícito às bases de dados governamentais. Com informações de G1 Minas Gerais.



